segunda-feira, 10 de março de 2014

"Olho por olho, Dente por Dente" Pode não ser tão ruim quanto parece.


As antigas leis que exigem "Olho por olho" são frequentemente consideradas como bárbaras e excessivamente punidas. Muitas sociedades antigas utilizavam a aplicação dessa lei. No entanto, essas leis foram estabelecidas a fim de conter, e não promover, a vingança desproporcional.

O princípio desta justiça capturada pela expressão "Olho por olho, dente por dente" é chamada lei de talião (a lei da retaliação). A frase é Latina, mas os estudiosos tendem a aplicá-la a todas as leis, em todas as idades, que apresentem essa exigência do "Olho por Olho". Simplificando, a lei exige que o agressor seja punido em medida igual para o sofrimento que ele causou.

A lei de talião é encontrada em muitos códigos de leis antigas. Podemos pensar nisso como sendo de origem judaica. Pode ser encontrada, muito famosa, nos livros do Antigo Testamento do Êxodo, Levítico e Deuteronômico, mas, na verdade ele aparece no código babilônico de Hamurabi (1770 aC), que antecede os livros de direitos judeus por centenas de anos. Lei º196 do código de Hamurabi diz: "Se um homem arrancar o olho de outro homem, o olho dele deve ser arrancado também". A lei nº 197 diz: "Se ele quebra o osso de outro homem, também devera ter o mesmo osso quebrado". A lei nº 200 diz: "Se um homem quebra os dentes de outro homem, os dentes dele também deverão ser quebrados".

Leis Talionicas existem não apenas nos códigos de Israel e da Babilônia, mas também nos da Roma antiga, alguns locais da Grécia Arcaica e Islã. Em alguns casos, mas não em todos, o infrator não perdia literalmente o olho, ou sua vida. Mecanismos foram estabelecidos através do qual o autor foi forçado a compensar financeiramente a vítima com uma quantidade consideravelmente proporcional a perda da vítima. (Muitos destes lugares não tinham dinheiro, então a compensação tomou a forma de produtos agrícolas ou de trabalho).

A população moderna instintivamente considera as leis de talião como brutais e vingativas. Mas, antes da instituição dessas leis, punição e castigo para o crime foi uma questão amplamente privada. A vítima, talvez, por muitas vezes sob a orientação de costumes tribais não escritos, exigiu a sua própria vingança e, naturalmente, a extensão da retaliação muitas vezes excedeu em muito a extensão do crime original. Vítimas são feridas, talvez humilhadas, e são motivados pelo seu ódio. Se a vítima tivesse seu nariz quebrado, eles provavelmente quebrariam a perna da pessoa como vingança. Se a vítima tivesse sido assassinada, a família da vítima talvéz torturasse e depois matava o assassino. Não preciso dizer, que isso com certeza provocava novas retaliações, e o círculo de ódio não parava, se alastrando para novas gerações, nossa história é cheia de exemplos.

A aplicação da lei de talião, administrada pelas autoridades centrais, tinha a intenção de limitar a vingança excessiva. O que o agressor tinha causado, eles tinham em retorno, mas nada além disso. Desta maneira, a punição trazida para o agressor era feita de tal maneira, que o mesmo não tinha motivos para sentir-se lesado, eles eram punidos e esse era o fim da história, evitando o ciclo de violência e futuro derramamento de sangue desnecessário.

Indo contra a frase de Gandhi, que diz "Olho por olho vai fazer com que o mundo inteiro fique cego", podemos dizer que a lei de talião nos deixa com dois homens de um olho só, ambos muito tristes consigo mesmos, sem dúvida. Mas com a certeza de que a justiça foi feita.

Vale lembrar, de que muita coisa boa pode ser interpretada de uma maneira errada, levando aquela, que era uma idéia boa, se tornar algo completamente imoral. Isso também serve para o outro lado, muita coisa ruim pode ser interpretada de uma maneira boa, nos causando muita dor de cabeça.

FONTE
KnowledgeNuts

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